Falando sobre ética...

Ao longo da vida, a partir de experiências e aprendizados pessoais, todos desenvolvemos crenças, paradigmas, conceitos e valores que se refletem constantemente em nossas ações cotidianas. Desta forma, existe uma relatividade quando nos referimos ao que é mal ou bem, certo ou errado, pois estes termos dependem dos códigos que criamos internamente ou que decidimos seguir como verdade na nossa vida.
Consultei algumas definições da palavra Ética e pude perceber que sempre há uma ligação com a palavra moral.

“Ética (do grego ethos, que significa modo de ser, caráter, comportamento) é o ramo da filosofia que busca estudar e indicar o melhor modo de viver no cotidiano e na sociedade. Diferencia-se da moral, pois enquanto esta se fundamenta na obediência a normas, tabus, costumes ou mandamentos culturais, hierárquicos ou religiosos recebidos, a ética, ao contrário, busca fundamentar o bom modo de viver pelo pensamento humano.” (http://pt.wikipedia.org/wiki/)
“Ética é um conjunto de valores morais e princípios que norteiam a conduta humana na sociedade. A ética serve para que haja um equilíbrio e bom funcionamento social, possibilitando que ninguém saia prejudicado. Neste sentido, a ética, embora não possa ser confundida com as leis, está relacionada com o sentimento de justiça social. A ética é construída por uma sociedade com base nos valores históricos e culturais. Do ponto de vista da Filosofia, a Ética é uma ciência que estuda os valores e princípios morais de uma sociedade e seus grupos.” (http://www.suapesquisa.com)
“A Ética pode ser um conjunto de regras, princípios ou maneiras de pensar que guiam, ou chamam a si a autoridade de guiar, as ações de um grupo em particular (moralidade), ou é o estudo sistemático da argumentação sobre como nós devemos agir (filosofia moral).”( Singer P. Ethics. Oxford: OUP, 1994:4-6.)

Podemos perceber então que a ética é a ação que está relacionada à opção, ou seja, a decisão que é tomada a partir da “consciência moral". Moral pode ser compreendida como uma forma de ordenar hierarquicamente nossos valores, em escala de importância, positividade, etc., orientando assim nossos posicionamentos práticos no dia a dia e principalmente nos atos relacionais, quando os valores tomam corpo. A lei “representa o consenso da sociedade em torno de valores morais predominantes.”

Nos atos relacionais, empresariais, é possível destacar dois tipos de atitudes éticas: a ética do interesse próprio e a ética orientada para o outro.
Ética do interesse próprio consiste em ações de responsabilidade social que objetivam exclusivamente a maximização dos lucros. “A preocupação com os empregados, com a qualidade, com o bem estar da comunidade, enfim, tudo o que se faz pelos outros, justifica-se apenas se a ação resulta na maximização dos resultados econômicos da empresa ou do negócio.”

“A ética orientada para os outros tem por objetivo básico a valorização do outro para o benefício do todo. Parte do princípio de que é fazendo o outro feliz que eu vou me realizar, que eu vou me sentir bem, feliz. (...) O lucro, o benefício econômico, é um subproduto.”

Falando em ética direcionada ao campo empresarial, surgem indagações quanto a finalidade da empresa , ou seja, o objetivo maior dela. Seria uma postura ética a criação de uma empresa cujo objetivo único é produzir lucro? Há quem afirme que sim, porém não é a visão da maioria, este modo de pensar contempla os interesses individuais dos favorecidos, os empresários. Existem várias filosofias a respeito deste tema, gostaria de destacar uma que adota uma posição intermediária, pois “consiste em respeitar a tríplice realidade da empresa: econômica, humana e social.”

Independente da filosofia que se pretenda seguir dentro da empresa, é válido lembrar que de certa forma, a postura adotada no ambiente de trabalho, ou seja, o comportamento ético dos administradores terá influencia sobre o comportamento das pessoas que nela trabalham mesmo fora do ambiente de trabalho. Nossa visão de mundo é refletida através de nossos atos, e é formulada a partir dos acontecimentos e relacionamentos ao longo da vida.

Pensar na cadeia de influências que o comportamento ético ou não ético pode gerar é de extrema importância, pois os comportamentos positivos ou negativos se difundem facilmente pelas pessoas, sendo as pessoas o que formam a sociedade, pode se refletir no comportamento da sociedade. Além dos conflitos éticos, (maus hábitos), prejudicarem as atividades dentro do ambiente de trabalho entre as pessoas envolvidas, pessoas que sofrem este tipo de conflito podem transmitir suas insatisfações e frustrações aos seus cônjuges e filhos, de maneira inconsciente, ou levarem hábitos ruins para a família, e estes podem ser também multiplicadores das ações a que foram expostos.

No campo empresarial, o exercício da ética está atrelado ao que chamamos de responsabilidade social. Como foi dito anteriormente, a empresa, conforme os valores de seus líderes, pode exercer uma ética de sobrevivência, (pautada meramente em suas próprias conveniências, sendo o lucro o principal interesse), ou a ética da solidariedade, sendo importante a observação e atuação prática em questões ambientais, problemas sociais, transmissão de conhecimento, entre outros que abordem aspectos humanistas e ecológicos.

“A ética empresarial é o comportamento da empresa – entidade lucrativa – quando ela age de conformidade com os princípios e as regras do bem proceder aceitas pela coletividade (regras éticas).” A sociedade exige que as empresas atuem de forma ética nos relacionamentos com “clientes, fornecedores, competidores e seu mercado, empregados, governo e público em geral.”


Algumas razões para a empresa ser ética:

• Custos menores – Uma empresa ética age em conformidade com a lei, não sendo necessário pagamentos de subornos, compensações indevidas, e condenações por procedimentos indevidos, entre outros.

• Legitimidade moral para exigir o comportamento ético dos empregados.

• Parcerias empresariais – O comportamento ético favorece a imagem da empresa perante os clientes, fornecedores e parceiros comerciais.


Na empresa, o “Código de ética tem a missão de padronizar e formalizar o entendimento da organização empresarial em seus diversos relacionamentos e operações.(...) quando adotado, implantado de forma correta e regularmente obedecido, pode constituir uma prova legal da determinação da administração da empresa, de seguir os preceitos nele refletidos.”

Para que haja sucesso na implantação de um Código de ética, é necessário que os administradores disponham para todos os envolvidos: treinamentos, capacitações, canal de comunicação, entre outras ações que possam informar e favorecer o cumprimento do código. Caso seja violado, prevalecendo o comportamento antiético, serão tomadas pela administração, atitudes corretivas ou punitivas, (suspensão, demissão, rescisão de contratos, etc.)

Após esta explanação sobre ética, percebemos que existem muitas vantagens em se defender a adoção de comportamentos éticos não apenas nas relações empresariais, sim nas ações cotidianas e práticas da vida. Em uma visão mais solidária da ética, fazer o bem ainda que não nos gere lucro e vantagens, fará com que deixemos nossa contribuição pessoal para a humanidade.

Neste mundo tão capitalista, onde cada vez se exige que tenhamos mais propriedades, onde as pessoas valem não o que são, sim o que têm, onde o lucro é sempre mais importante, não importam as conseqüências, onde sempre temos que ganhar e nunca perder, etc. Podemos ter outra visão e não nos rendermos a esta filosofia egoísta. Cada um de nós tem a oportunidade diária de escolher os padrões morais a seguir, ou seja, a postura ética que pretende assumir, poderemos então fazer a diferença, simplesmente fazendo a nossa parte, o que estiver ao nosso alcance para que a sociedade em que vivemos, ou melhor, o planeta como um todo seja cada vez mais, um lugar melhor para vivermos.

“Vamos valorizar mais as pessoas do que as coisas. Vamos procurar dar trabalho ao maior número de pessoas. (...) Vamos valorizar a pequena empresa. (...) Vamos valorizar a obra de nossas próprias mãos, o nosso próprio trabalho, fazendo-o simplesmente bem feito. (...) Vamos valorizar nossas escolas e universidades, nossos meios de comunicação social, nossas famílias. (...) Vamos valorizar o futuro, as gerações de nossos filhos e netos, que tem o direito de esperar que nossa avidez, nossa ganância e nossa sede de lucro imediato não inviabilizem o mundo que lhes deixarmos.” (Peter Nadas)

Gostaria de finalizar este texto com a seguinte sugestão:Vamos ser mais responsável com nosso próximo e a natureza, pois todos fazemos parte e compartilhamos de um mesmo corpo: O planeta Terra. Fica então a pergunta para reflexão: O que eu posso fazer para melhorar o planeta em que vivo?

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